sapatos XXII
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
(fragmento)
- A quem se fala quando se escreve?
- A um ser acerca de quem nunca se venha a saber se é si mesmo ou um outro.
- Fala-se a um desconhecido?
- Seria absurdo dizer dessa maneira, porém, é a única coisa que podíamos dizer: não se dirigir a ninguém, quando se fala, talvez seja falar apenas consigo mesmo; mas como falar consigo sem imediatamente fazer de si um outro?
- Sobretudo porque nós somos, nós, esse outro.
- Não estou dizendo isso . Você não me compreendeu, ou, fui eu que não me fiz compreender. Esse outro não é eu mesmo, nem minha invenção. Ele é minha descoberta do outro em mim.
Esboçar o perfil de uma palavra numa folha já é estabelecer uma conversa com a página branca.
Tudo o que vemos, escutamos, tudo do que nos aproximamos, uma vez reconhecido, entra em diálogo conosco.
O livro seria, assim, apenas o espaço circunscrito pela palavra aberta à palavra. Não somos escritos onde ela se escreve, mas inscritos onde ela se apaga.
Há uma linguagem própria que a inscrição tumular nos impõe e nos força ao silêncio. Pesado silêncio em busca de um signo.
Ah! outro - homem, mundo, Deus - mais nós mesmos do que poderíamos sê-lo no segredo de nossas confissões; palavra de uma palavra à qual não ousamos ligar nosso nome; pois se somos tributários dela, ela, contrariamente, mais nos escapa do que nos pertence.
Brancura, brancura de sangue. Séculos de orgulho e de derrotas jazem no vocábulo. Você os desperta ao revelá-lo.
Um livro se entreabre quando nos abandonamos
domingo, 26 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Para começar citarei os elementos
A tua voz os teus olhos as tuas mãos os teus lábios
Eu vivo sobre esta terra e pergunto-me
Se nela viveria se tu nela não estivesses também
Neste banho postado em face
Do mar de água doce
Neste banho que a chama
Edificou nos nossos olhos
Este banho de lágrimas jubilosas
Em que penetrei
Pela virtude das tuas mãos
Pela graça dos teus lábios
Este estado humano primordial
Como uma pradaria dos começos
Os nossos silêncios as nossas palavras
A luz que se vai
A luz que de novo volta
A aurora e o crespúsculo fazem-nos rir
No cerne do nosso corpo
Tudo se torna flor e amadurece
Sobre a palha da tua vida
Onde deito a velha carcaça
Em que me tornei por fim
domingo, 19 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
SENTE O BEIJO
no voo do desejo
...de chegar a ti.
Revesti-o de algodão doce
e melado ficou...
Mergulhei-o na brisa do vento
e suave ficou...
Envolvi-o na fragrância de uma rosa
e perfumado ficou...
Tapei-o da mentira
e verdadeiro ficou...
Vesti-o com o toque dos meus lábios
e amor ficou...
Embrulhei-o na vida das nossas vidas
e eterno ficou.
Segura-o,
fica com ele neste aconchego
e na essência
dos nossos corpos
...que se amam em segredo.
(A.M)
Sente o beijo que te mando,
que sai do meu coração
e pensamento
que sai do meu coração
e pensamento
no voo do desejo
...de chegar a ti.
Revesti-o de algodão doce
e melado ficou...
Mergulhei-o na brisa do vento
e suave ficou...
Envolvi-o na fragrância de uma rosa
e perfumado ficou...
Tapei-o da mentira
e verdadeiro ficou...
Vesti-o com o toque dos meus lábios
e amor ficou...
Embrulhei-o na vida das nossas vidas
e eterno ficou.
Segura-o,
fica com ele neste aconchego
e na essência
dos nossos corpos
...que se amam em segredo.
(A.M)
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