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quinta-feira, 28 de maio de 2009

AA


Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,

sois inofensivas?


Estremeceis. Não posso tocar-vos.

Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada queima.

 

E fico exausta quando vos vejo

estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da boca.

 

Uma boca há pouco ensanguentada.

Pequenas orlas de sangue!

 

Há nela um fumo que não consigo tocar.

Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?

 

Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...

Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!

 

Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de vidro,

trazendo-me a acalmia e o silêncio.

 

Mas sem cor. Sem nenhuma cor.